domingo, 8 de junho de 2014

"Por que tão bela, se coxa? Por que coxa, se bela?"

Uma mordida na coxa, hematoma e consequência. Aperta para lembrar os dentes que marcaram.
Martiriza comer em um prato desejando o gosto de outra comida. A sombra ficou e o corpo se foi, a voz não existe, nada existe exceto a vontade de sofrer as suas consequências na pele.
 
Compaixão é tortura, é de arder os olhos e tirar o sono santo. Desejo é ímpeto. Vontade instiga e move a vida de quem tem medo de sofrer. Sofrer as coisas do filho inconsequente que mora no coração dos sonhadores. É preciso coragem para se libertar da escravidão de nossas paixões, pois viver sem elas não te trará o alento, mas a tortura eterna dos desejos idealizados no "para sempre", da vida segura do racional.
 
Todo cérebro precisa de um coração para sangrar. Tão doce o trunfo da dependência e responsabilidade delegada, até o momento que o açúcar desce todo pela garganta, e a língua amarga a falta do que passou por ali.
 
É justo sofrer por aquilo que não existe?
Quem disse?
Existe?
Não é preciso ser forte para fazer o que quer a todo custo, mas é quando se assume o dever a custo do que se quer.
É certo ser responsável pagando tantos juros?

2 comentários:

  1. escrevendo cada vez melhor bichinha!
    sempre agradeço aos que me inspiram... no fim, nada fica mesmo, nem as historias, nem as inspirações, nem a gente, nem os textos... talvez, só reste os juros.

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    1. Antes não houvesse inspiração nem esses juros.

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