sábado, 27 de setembro de 2014

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Todos os dias acordava segurando mais forte o travesseiro e soltava 15 minutos mais atrasada depois. Com isso, era inevitável sair esbaforida pela porta e rua afora. Sem olhar pra trás e vestindo o casaco, corria pra atravessar  evitando esperar o sinal fechar, cortava caminho como podia. Como era essa a rotina, tinha o trajeto mais rápido na cabeça de forma que as pernas sabiam para onde ir sozinhas.  Para evitar uma volta, passava por dentro de uma galeria que cedo assim, ainda estava vazia e as lojas fechadas. Nesse espaço onde desfilava sua pressa era observada por todas aquelas caras pálidas, melancólicas, congeladas em poses elegantes.
Eles trocavam de roupas, mas caras eram as mesmas sempre no mesmo lugar. Em pouco tempo tinha na cabeça onde cada um "morava", especialmente dois deles. Um de frente para o outro separados pelo corredor onde corria todos os dias. Evidentemente não esquecia que eram manequins em lojas, tão descartáveis quanto o lixo no final do dia. Mas estes, enquanto dentro de sua respectiva validade, estariam sempre olhando um para o outro romanticamente como haviam sido colocados apenas por acaso. O corredor em sua frente, que os separava implacavelmente, não tinha força para mudar a condição que eles se viam e por tanto sabiam. Nada que pudesse acontecer nele poderia tirar a atenção dos dois. A condição dolorosa e que eram postos e os dias que passavam um sabendo do outro sem que cruzem o corredor, eram imutáveis.
Podendo perceber o que acontecia neste fragmento de seu caminho diário, tomava alguns momentos para pensar nisto: talvez seria uma boa forma de entender alguns amores por ai...  

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Engasgo

O silêncio com voz de quem está engasgando com verdade, a saída de "cala e consente". Nem verdade, nem mentira estão dentro das capacidades. Apenas se esconde, porque teme as próprias fraquezas sendo mais fortes do que qualquer coisa na vida. 
Os dias eram amar, desamar e amar de novo. O desjejum de trocar curativos. Amarga o café, o dia será igual de novo. Ama, porque é meio dia e está quente, os melodramas sestam. Mas o dia passou, frio é a nova atmosfera, novas notícias antigas já circularam nas horas passando. Não se ama se perde. Toma banho, toma ar, toma rumo! Não se ama só ama de novo e dorme.

Vou negar os olhos que vi em pensei
Se for a vontade, faz, mas será dor.
Sim, vontade.
Vou negar os olhos que vi e pensei
Das paginas antigas essa tem a mesma história.
Mas a letra é nova e os diálogos despertam o inexorável.
Vou negar os olhos que vi e pensei
O que eu já chamei de podre 
E eu me desmancho em podridão.
Se há força para negar, que seja grande.
Pois você foi a maior força sobre mim.
Se fim,
Você matou o que fui
Então vivo.
Nos olhos estava somente o retrato como o de Dorian.
Pois nos olhos via de verdade
A verdade deixada pra lá
Quando minha mão abriu o feixe e beijei com meus olhos fechados.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

a arte de ser uma pessoa

Imagem: Poesia de Mentira
Musica para Hemodiálise

Corria mão sobre o peito
A pele era pura e limpa
A carne era imunda
A voz era doce
O hálito amargo
As palavras eram bonitas
O que dizia era mentira
Na face serena, os olhos enganam
A casca de anjo guardava o desejado diabo

Os pensamentos não cabem em uma caixa, não esconde, não guarda, não descarta
Pensa e transpira porque escapa.

O diabo transforma quem o deseja em pecado
A doença de ser fato consumado.


domingo, 15 de junho de 2014

Ai meu Deus!

E não me questione com sarcasmo o motivo de dizer se não compartilho da sua crença.
Não preciso acreditar em Deus para ter certeza que ele existe. Porque minha crença não faz diferença na influencia que ele faz na minha vida.
Quando no conflito que se cria entre quem crê e quem não crê, muitos argumentos sempre serão repetidos incansavelmente. Como justificar a existência das coisas com o poder de algum outro ser já existente. Alguém diz "você não vê o ar mas sabe que ele existe. Acredita nele." Assim está provado!
E acredite ou não está mesmo!
Deus é como ar sim. Não se pode ver, mas ele tem tanta influência e poder sobre os acontecimentos que ele existe e passa a ser tão concreto que é quase físico.
A vida da essa resposta zombando da nossa cara. Algumas pessoas tem a sua fé como escudo e arma de sua vingança e acreditando que sua crença o faz merecedor de um escudo sobre o mal na vida. E logo depois de discursar palavras úmidas de cuspe sobre a justiça divina e proteção, Deus te faz chorar com a sua vontade. Não há como se fazer mais presente. Influência direta como consciência.

domingo, 8 de junho de 2014

"Por que tão bela, se coxa? Por que coxa, se bela?"

Uma mordida na coxa, hematoma e consequência. Aperta para lembrar os dentes que marcaram.
Martiriza comer em um prato desejando o gosto de outra comida. A sombra ficou e o corpo se foi, a voz não existe, nada existe exceto a vontade de sofrer as suas consequências na pele.
 
Compaixão é tortura, é de arder os olhos e tirar o sono santo. Desejo é ímpeto. Vontade instiga e move a vida de quem tem medo de sofrer. Sofrer as coisas do filho inconsequente que mora no coração dos sonhadores. É preciso coragem para se libertar da escravidão de nossas paixões, pois viver sem elas não te trará o alento, mas a tortura eterna dos desejos idealizados no "para sempre", da vida segura do racional.
 
Todo cérebro precisa de um coração para sangrar. Tão doce o trunfo da dependência e responsabilidade delegada, até o momento que o açúcar desce todo pela garganta, e a língua amarga a falta do que passou por ali.
 
É justo sofrer por aquilo que não existe?
Quem disse?
Existe?
Não é preciso ser forte para fazer o que quer a todo custo, mas é quando se assume o dever a custo do que se quer.
É certo ser responsável pagando tantos juros?

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Saudade da época que conseguia somente ironia...

Medo de dizer talvez seja o medo de ser vulnerável mais uma vez.
As "paixonites" não dependem dessa coisa romântica, por sorte. O que acaba fazendo com que as pessoas passem pela vida da maneira mais prática. Algumas até nunca poderei gostar da forma que são. Incompatibilidade. Mas eu aprecio pessoas, incluindo as incompatíveis.
Ser romântico é difícil, chato, desgastante e as vezes acontece, tipo gripe menos frequente.
Natureza sexual presa num saco de batatas flutua nessa de apreciar muito e amar por acidente.Ter essas coisas juntas não parece uma catástrofe? É, deve ser... Veio como foi, e deixou essa sombra.
Outro dia andando na rua de com a mãos dadas para guiar-me como de costume, tive a sensação feliz que passa quando lembramos do pensamento relativamente distante, no passado, de que naquele momento jamais imaginariamos determinados elementos do momento da forma como ficaram no presente.
Foi assim no caso da sincronia das coisas ditas anteriormente. O que para dizer a verdade não pode se repetir nem desfrutando das mesmas condições.
Embora acredite que isso só faça sentido em minha cabeça, não poderia também descrever melhor, porque sim!
Justificar sempre vai ser pior do que o romance (um pelo outro, o ápice ensaísmo de viver), pra que tornar a conversa sempre mais longa que a importância? Medo de dizer.

sábado, 17 de maio de 2014

Eu vejo segredos nos olhares perdidos, vejo distância nas discordâncias, traições na rotina normal, vejo tudo que mais desastroso pode acontecer atrás de uma lupa de insanidade.
Tanto medo de criar hábitos hereditários de loucura me fazem fugir dos lugares onde posso usar as lupa e me refugiar no escuro. Dissipar e dissecar cada idéia suja e planos de ação.
Mas a culpa não é tão minha.
O cabelo cresceu dois centímetros desde o "EU TE AMO" mais recente.